Quem vive perto do mar conhece o padrão. Estores que noutro sítio durariam décadas começam a ranger ao fim de poucos anos, as guias ficam esbranquiçadas, os parafusos partem-se ao primeiro esforço e o mecanismo trava sem razão aparente.
Não é impressão. O ar marítimo transporta sal em suspensão que se deposita em todas as superfícies expostas e acelera a corrosão de forma muito significativa.
O que a maresia faz ao estore
O sal depositado é higroscópico, ou seja, atrai humidade do ar. Isso mantém as superfícies metálicas permanentemente húmidas, mesmo em dias secos, o que é exatamente a condição que a corrosão precisa para progredir.
O efeito nota-se primeiro nos pontos pequenos e escondidos: parafusos, molas, rolamentos, eixo e suportes laterais. Só depois se torna visível nas lâminas e nas guias, quando já vai adiantado.
Sintomas típicos em zona costeira
Estes são os sinais que encontramos com mais frequência nas zonas mais expostas.
- Manchas brancas ou pulverulentas nas guias de alumínio
- Parafusos que se partem quando se tenta desapertar
- Movimento cada vez mais duro sem causa mecânica evidente
- Rolamentos e eixo com ferrugem visível dentro da caixa
- Fitas que se degradam mais depressa por acumulação de sal
- Motores com falhas intermitentes por corrosão nos contactos
Que materiais resistem melhor
O alumínio com lacagem em bom estado comporta-se bem junto ao mar, desde que a camada de proteção não esteja riscada nem picada. Onde a lacagem falha, a corrosão instala-se rapidamente por baixo e propaga-se.
O PVC não corrói, o que é uma vantagem óbvia, mas em fachadas com sol e sal intensos torna-se quebradiço mais cedo. Nos componentes metálicos internos, o inox é claramente superior e é onde vale a pena investir, porque são peças pequenas com grande impacto na durabilidade do conjunto.
A manutenção que faz diferença
Em zona costeira a manutenção não é um extra, é o que separa um estore com dez anos de vida de um estore com trinta. E a medida mais eficaz é também a mais simples: lavar as guias e as lâminas com água doce com regularidade, para remover o sal antes que ele se fixe.
A esta rotina acrescenta-se uma verificação periódica do interior da caixa, onde o sal se acumula sem ser visto, e a substituição preventiva dos parafusos e fixações que apresentem oxidação, antes que se partam durante uma intervenção.
Motorização em zona de maresia
Motorizar junto ao mar é perfeitamente viável e traz uma vantagem indireta relevante: com o comando elétrico, os estores passam a ser usados com regularidade, e um mecanismo que se move todos os dias agarra muito menos.
O cuidado essencial está na proteção das ligações elétricas e na colocação do recetor num ponto seco da caixa. Ligações mal protegidas em ambiente salino falham cedo e produzem avarias intermitentes difíceis de diagnosticar.
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