O estore sobe e vai ficando cada vez mais inclinado. Uma das pontas chega ao topo primeiro, a outra fica atrasada, e a certa altura o estore entala na guia e recusa-se a subir mais.
É um dos problemas mais comuns e também um dos mais mal resolvidos, porque a solução intuitiva, puxar o lado atrasado, agrava quase sempre a situação.
O que está realmente a acontecer
Um estore enrola de forma correta quando o rolo acumula a mesma quantidade de lâminas em ambas as extremidades. Se num dos lados se acumula mais material do que no outro, o diâmetro do rolo passa a ser diferente de lado para lado.
A partir daí o desalinhamento alimenta-se a si próprio. O lado com maior diâmetro recolhe mais lâmina por cada volta, a inclinação aumenta a cada subida, e o estore acaba por sair da guia.
As causas mais frequentes
Nas intervenções que fazemos, o desalinhamento explica-se quase sempre por uma destas razões.
- Fitas ou cintas com comprimentos diferentes, normalmente depois de uma substituição feita à pressa
- Fita mal encaixada na ranhura do tambor, o que faz com que enrole sobre si mesma
- Tambor deslocado no eixo, com os pontos de fixação a perderem a distância original
- Eixo empenado ou apoios laterais cedidos, o que rouba paralelismo ao sistema
- Guia lateral entupida com sujidade ou ligeiramente amolgada, travando um dos lados
- Lâmina inferior torta ou solta de um dos topos
- Estore forçado durante meses depois de já ter começado a desalinhar
Porque não se resolve puxando ao contrário
Puxar o lado atrasado corrige a imagem durante uma ou duas utilizações, mas não altera o diâmetro do rolo nem o ponto de fixação da fita. O estore volta a desalinhar e, entretanto, cada puxão obriga as lâminas a torcer sobre o próprio eixo.
É por essa via que muitos estores passam de um problema de afinação para um problema de lâminas deformadas, que já não se corrige sem substituir material.
Como se corrige de forma definitiva
A correção exige abrir a caixa e desenrolar o estore por completo, para que o rolo fique sem material acumulado. Só com o estore totalmente descido é possível verificar se as fitas têm o mesmo comprimento útil e se estão no ponto certo do tambor.
Depois iguala-se o comprimento das fitas, reposiciona-se o tambor, verifica-se o paralelismo do eixo e limpam-se as guias em toda a altura. No fim faz-se o ciclo completo várias vezes para confirmar que o estore sobe alinhado sem correções manuais.
Quando o desalinhamento indica um problema maior
Se o estore volta a desalinhar poucas semanas depois de corrigido, o problema não está na fita. Está normalmente na estrutura: eixo empenado, apoios da caixa cedidos ou guias desalinhadas em relação ao vão.
Estas situações aparecem com frequência em estores instalados há mais de vinte anos ou em janelas onde houve obras que mexeram no caixilho. Nesses casos a solução passa por corrigir a fixação, e não por continuar a afinar a fita.
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