Ouve-se um estalido seco, o estore desce de golpe e fica encostado ao peitoril, torto ou meio enfiado na caixa. Em segundos deixa de haver luz, deixa de haver janela e fica a dúvida sobre se aquilo se vai partir ainda mais.
A queda de um estore quase nunca é um acidente isolado. É o fim de um processo de desgaste que já vinha a dar sinais. Saber o que fazer nos minutos seguintes evita transformar uma reparação simples numa substituição completa.
Primeiro: não force o estore
A reação natural é puxar a fita ou rodar o comando para tentar repor o estore no sítio. É exatamente o que não deve fazer. Se o estore caiu, alguma coisa se soltou lá dentro: a fita partiu, o tambor libertou-se, uma mola cedeu ou as lâminas descarrilaram da guia.
Forçar o mecanismo nesse estado faz com que as lâminas soltas dobrem umas sobre as outras, o que transforma uma reparação de mecanismo numa substituição de conjunto de lâminas. Muitas das intervenções mais caras que fazemos começaram com alguém a tentar resolver a queda à força.
O que deve fazer nos primeiros minutos
Há três coisas simples que protegem o equipamento e as pessoas até chegar assistência.
- Afastar crianças e animais da janela, sobretudo se houver lâminas soltas ou pontas metálicas expostas
- Apoiar o estore para que não continue a descer, sem o puxar nem o empurrar para cima
- Se o estore for elétrico, desligar o disjuntor do circuito para evitar que alguém carregue no comando
- Fotografar o estado do estore e da caixa, o que ajuda o técnico a preparar a peça certa
- Não abrir a tampa da caixa se não souber como o mecanismo está montado, porque as peças em tensão podem soltar-se
Porque é que o estore caiu
A causa mais comum, de longe, é a rotura da fita. A fita desgasta-se por dentro da caixa, onde ninguém a vê, e vai perdendo fibras até romper de uma vez. Quando isso acontece, deixa de haver nada a suportar o peso do estore.
A segunda causa é o desprendimento do tambor ou do eixo. Com o tempo, os apoios do eixo abrem-se, o tambor deixa de estar alinhado e acaba por sair da posição, levando o estore atrás.
Em estores mais pesados, sobretudo de alumínio térmico e em vãos largos, há ainda a fadiga das molas e dos suportes laterais. Nestes casos a queda costuma ser precedida de meses de funcionamento pesado ou ruidoso.
Os sinais que aparecem antes da queda
Praticamente todos os estores avisam antes de cair. O problema é que os sinais são discretos e fáceis de ignorar.
- A fita ficou visivelmente mais fina ou desfiada junto ao recolhedor
- O estore começou a subir aos solavancos em vez de subir de forma contínua
- Ouve-se um ruído metálico dentro da caixa que antes não existia
- O estore desalinha ligeiramente para um dos lados ao descer
- É preciso mais força do que antes para o mesmo movimento
Como se resolve tecnicamente
A intervenção começa sempre pela abertura da caixa e pela verificação do estado real das peças. Só depois se decide. Se o problema for a fita, substitui-se a fita e o recolhedor e verifica-se o tambor. Se o eixo ou os apoios estiverem cedidos, corrige-se a fixação antes de repor o estore.
Quando há lâminas dobradas, substituem-se apenas as afetadas sempre que o perfil ainda esteja disponível no mercado. Só quando o conjunto está genericamente degradado é que faz sentido falar de substituição completa, e isso deve ser dito de forma clara e não como argumento de venda.
Vale a pena tentar resolver sozinho
Repor um estore caído implica trabalhar em altura, com a caixa aberta e com peças em tensão. Não é uma questão de dificuldade técnica extrema, é uma questão de risco e de custo do erro.
Se o estore for pequeno, leve, e a fita apenas saiu do recolhedor sem partir, há quem consiga repor. Em qualquer outro cenário, o desfecho mais frequente das tentativas caseiras é a deformação das lâminas, que multiplica o custo da reparação.
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